Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Ah, o racismo... :/
Esse mês eu venho discutindo, por diversas razões, racismo com alguns amigos.
Velho, o racismo faz um estrago enorme na autoestima da cidadã, do cidadão (claro, eles são piores do que nós para lidar com qualquer frustração, inclusive com essa). E se as pessoas não prestarem atenção, se tornarão pessoas tão tóxicas quanto os racistas que criaram essa fenda, especialmente para si mesmos e para os mais próximos.
Ser famoso não vai curar essas feridas.
Ter dinheiro não vai curar essas feridas.
Ser o mais inteligente não vai curar essas feridas.
Ser violento não vai curar essas feridas.
Ser o chefe não vai curar essas feridas.
Casar com um/a branco/a não vai curar essas feridas.
Se centrar no reconhecimento exterior não vai curar essas feriadas, em suma.
Eu sei que é duro não ser visto, mas é mais tóxico, a longo prazo, se rebaixar, jogar os valores, a dignidade para ser visto.
É como paquerar alguém que você quer muito que te queira e topar qualquer coisa para conseguir essa pessoa. Você pode conseguir a pessoa, mas dificilmente vai ser feliz com ela porque, no fundo, ninguém perdoa ser esnobado. Vai ter ali um exercício de ego, de poder, mas amor, que é o que no fundo todo mundo busca, não vai rolar. Antes voltasse essa energia para estar bem e disponível a quem lhe queira.
Eu ouvi uma história, de uma pesquisadora, que eu compreendi, mas ainda assim discordei da atitude do homem. Ele tinha arrecadado, através de doações, dinheiro para comprar fralda da filha. Usou parte desse dinheiro para comprar um tênis caro e ser visto, na loja, ao se tornar consumidor. Ele calcula que outras pessoas darão a fralda pra filha, que portanto esse ato não vai ter consequências pra ela. Ok, isso evidencia uma sociedade profundamente violenta que se baseia em status e dinheiro, onde você não é ninguém se não tiver um pouco dos dois. Porque respeito tem que vir independentemente de qualquer coisa. Mas se por um lado ele não tá tirando a fralda, ele tá tirando outra coisa da família dele e traindo a boa fé das pessoas que tiraram do seu bolso - e num país como o Brasil dinheiro sempre faz falta - pra esse fim e não para ele comprar tênis. Só porque a pessoa é pobre ela não pode desejar o tênis? Pode, ué, mas não engane os outros para isso. Quer um tênis? Então diga às pessoas que quer ajuda financeira pra isso.
Complexo de inferioridade é um exercício de ressignificação. Não adianta nada você estar numa posição desejada sem ressignifcar o que te ocorreu, o que você sente sobre si mesmo.
Neste final de semana, maratonei The Witch. Me identifiquei com o Geralt (depois explico o motivo), mas Yennefer é bem isso que eu tô escrevendo aqui e que eu ando vendo muito na galera da minha geração para baixo: ego frágil não se cura com algo externo. Se não me engano, tem uma cena em que a feiticeira que a formou fala isso.
No plano externo, eu acho que a gente deve trabalhar para que futuras gerações não passem por isso. Minha irmã sofreu na autoestima dela por ter cabelos cacheados. Minha sobrinha lida bem com isso e até ensinou minha irmã a gostar de cabelos cacheados.
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