É madrugada, eu zapeio a tv e lá está a série passando... Como não assistir, ainda que com uma dublagem horrorosa? <3
Há uma sabedoria sobre a vida, por trás da bobajada cômica de HIMYM, que me cativa. Não acredita? Vou provar com esse post. Take a look:
1- Não dá pra ser o que éramos antes porque simplesmente a gente muda, a vida anda.
Essa foi a lição do episódio que assisti ontem de madrugada. Ted e Marshall, esse último recém casado com Lily, se recordam das viagens que faziam de NY a Chicago só para comer a pizza favorita, nas quais cometiam atos insanos, na época de faculdade. Com ciúmes do casamento do amigo e usando como pretexto o fechamento da tal pizzaria, Ted convida Marshall pra ir até lá, mas além de carregar a esposa a tiracolo (fusão que incomoda demais Ted, já que esse é um programa de "bros"), ele ainda muda a programação da viagem para adequá-la às expectativas dela. Ted, revoltado, sequestra o amigo, mas a viagem é um fiasco: nem eles se divertem como antes e nem a pizza valia mais a pena. Enfim, é melhor aceitar que as coisas mudaram do que se frustrar tentando que sejam as mesmas de novo.
2 - Amar é ceder.
Lily foi odiada por alguns fãs da série depois que Marshall desistiu de uma vaga de juiz para acompanhá-la até a Itália a trabalho (a carreira dela nas Artes é nada promissora; ela tem o sonho, mas não possui talento suficiente). Eles brigaram feio, mas Marshall cedeu porque entendeu que isso era muito importante para Lily, que teve poucas boas chances profissionalmente. De volta aos EUA, ele conseguiu ser juiz e, então, houve happy end.
Ted também deu uma lição nesse sentido ao fazer o possível para que o casamento de Robin (o eterno crush) e Barney (seu amigo) desse certo por entender que eles se amavam e que isso era importante para os dois. Enfim, quem te ama vai levar em conta, no frigir dos ovos, o que te faz feliz.
3- Nada de bom acontece depois das 2 da manhã.
Essa é a máxima da mãe de Ted frequentemente repetida e comprovada durante as nove temporadas.
4 - Às vezes, é mais adequado ser estratégico que correto.
Quando (quase) se casou com Stella, uma mãe solo, Ted desobedeceu um pedido da noiva, de que os exs dos dois não fossem convidados para a cerimônia, pois poderiam trazer à tona sentimentos desagradáveis ou adormecidos. Mas Ted não conseguiu dispensar a presença de Robin e por isso mesmo se sentiu na obrigação de convidar o ex-marido e pai da filha de Stella. Resultado: perdeu a noiva para o sujeito porque eles reataram o casamento ali mesmo. Ou seja, às vezes, mais do que fazer o que seria "correto" ou agradável, devemos ser estratégicos nas nossas decisões.
5- É impressionante a força que as coisas têm quando precisam acontecer.
Mas a série também ensina, em vários momentos, que o que tem que ser seu vai ser seu, ainda que não pelo caminho que você esperava. Não adianta querer controlar o destino. O exemplo mais marcante é o que dá nome ao seriado. Ted só conhece a mãe quando decide parar de correr desesperadamente atrás de qualquer garota na esperança de encontrar a mulher da vida dele e ser tão feliz quanto Lily e Marshall. Quando ele se desapegou dessa obsessão, o destino imediatamente passou a agir a favor e, sem esperar, acabou conhecendo a mãe do título, com quem foi muito feliz.
6- Há momentos em que é preciso abrir mão para ficar bem.
Essa é outra lição recorrente no seriado, que se passa em boa parte durante os anos da recessão americana. Vários episódios retratam a dificuldade dos personagens de realizar os sonhos, especialmente os profissionais. Em um deles, Lily, que queria ser artista mas acaba como professora do Jardim de Infância, aconselha Ted a mudar os rumos da profissão, já que as frustrações nessa área estavam lhe fazendo muito infeliz. Até Marshall, que sonhava em defender o meio ambiente, entende que, casado e em início de carreira, terá que, temporariamente, abstrair certos ideais em nome das contas a pagar.
Enfim, se o plano A não deu certo, tente o B, C, D, etc, mas procure um jeito de ficar bem.
7 - Não adianta ir contra a própria natureza.
Composta de cinco pessoas, a turma de HIMYM tem personagens para todos os gostos. Barney e Robin, os desapegados emocionalmente, por um tempo, quando se apaixonaram, acharam que poderiam mudar, serem "como todo mundo", mas se separaram quando entenderam que não tinham essa aptidão para a vida a dois, que se nem por amor conseguiram mudar, tinham que se aceitar como são. E isso não significa ter uma vida inferior em qualidade: Barney se preencheu com a paternidade e Robin, com a carreira.
8 - A sociedade encara muito diferente homens e mulheres.
Há uma situação interessante em HIMYM: se por um lado temos Barney, o "pegador" clássico, temos, por outro lado, Robin, uma mulher que pouco se vincula aos homens com que se relaciona, terminando relacionamentos sem sofrer muito e tocando a vida adiante. Barney apenas é "grosse", sem noção, mas Robin é frequentemente incompreendida por seu jeito de ser, que não causaria estranheza caso fosse um homem. A começar pelos fãs. Muitos não aceitam bem as negativas da repórter às investidas de Ted. Mas o que ela tem de errado, afinal? Ao contrário de Barney, ela não engana pessoas só para tirar vantagens pessoais. É apenas uma mulher tranquila, que namora quem ela quer, gosta de beber, não quer se casar e ter filhos, prefere a companhia de seus cachorros e investir na profissão e curte esportes. Robin é melhor pessoa que Barney, porém é mais julgada e passa por mais crises só por ser mulher.
9 - A gente perde muito tempo se iludindo que o que a gente quer é melhor do que o que a gente tem.
O melhor exemplo disso é quando Lily termina o noivado com Marshall para ir atrás de uma bolsa de artes plásticas em São Francisco, achando que com o casamento iria perder toda a diversão e aprendizado que poderia ter na vida. Na prática, ela confessa depois, nunca esteve tão infeliz e deslocada do que durante esse período e ter rompido com o noivo não acrescentou nada a ela pessoalmente ou profissionalmente.
Ted é outro caso de autoilusão. Passou o seriado inteiro querendo ser Marshall, casar logo e ser feliz pra sempre, o que acabou acontecendo mais tarde pra ele e por outro caminho. Cada um dos dois, a seu modo, teve uma boa vida. Enfim, não adianta querer a vida dos outros porque cada um terá uma receita de felicidade.
10 - A infelicidade é péssima conselheira.
Há um episódio no qual a turma observa que toda vez que Ted se dá mal, está infeliz com a própria vida, cai na tentação de voltar para ex namoradas problemáticas, o que nunca acaba bem. É aquela coisa: a pessoa tá tão na merda, por baixo, que prefere estar mal amada, mas recebendo alguma migalha para o seu ego, do que só. O ápice disso é o relacionamento dele com Robin: passou nove temporadas dando errado, mas toda vez que ele estava carente, sem ninguém, caía na tentação de tentar mais uma vez conquistar a amiga, sem sucesso, lógico. O seriado, aliás, terminou assim (mas não sabemos se dessa vez o milagre Ted & Robin finalmente aconteceu).
Bônus track - 11: O grunge nasceu no Canadá.
Uma das melhores partes do seriado são os flashbacks da carreira de pop star adolescente de Robin no Canadá. Há ótimas sacadas dos roteiristas!

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