terça-feira, 11 de agosto de 2009

Top 7 - Dia dos Pais


Domingo passado foi Dia dos Pais. O meu estava a 1.500 km de mim, mas claro, demos um jeito de não deixar a data passar em branco, ainda que via Embratel (na verdade, não dou importância a essas coisas, não. Fundamental, a meu ver, são o aniversário e o Natal. O resto é invenção do comércio!).
Bom ou ruim, moderno ou careta, vivo ou morto, pai é pai, e é melhor qualquer pai do que pai nenhum. Família é, em qualquer caso, essencial. É o nosso celeiro fundamental de referências humanas e para a vida.
Em homenagem a data, elaborei um TOP 7 de coisas que aprendi com o meu pai:


7 - A odiar futebol e telejornal
Meu velho já me encheu a paciência com esse tal de futebol! Quando o time dele ou a seleção joga, ninguém pode conversar com ele por duas horas (ficar esse tempo todo em silêncio, no meu caso particular, pode ser até cancerígeno!). Um saco!... Ele é torcedor do Vasco desde 1958, mas desde que eu era criança, a relação entre eles anda meio conturbada. Suspeito que o Vasco tem razão de guardar certa mágoa de meu pai, afinal, o único ano em que eles levaram o campeonato, depois que meu pai se tornou torcedor, foi o único em que o velho se recusou a torcer para o time de São Januário. O Vasco é uma espécie de contrafobia sentimental de seu Adilson. Uma vez, perguntei-lhe o motivo de torcer para o time, já que ele só se aborrecia. O pai me respondeu, puto da vida: "Foi falta de orientação na infância!". De uns tempos para cá, ando sentindo sintomas flamenguistas. Se se confirmarem, vou matar o velho de raiva, o que, aliás, é um dos meus esportes fa-vo-ri-tos! hehehe
Contrafobia sentimental tive eu ao escolher a profissão. Se tivesse vergonha na cara, nunca seria jornalista! Sim, porque por anos odiei telejornal. Até hoje, não consigo ver um inteiro; não gosto, não tenho paciência. Minha antipatia começou, acho, justamente pelo fato de que a única hora que eu tinha para conversar com meu pai, era a do JN - meu pai assiste a esse programa religiosamente e há décadas; o cara sabe tudo que se passa, bem mais que eu e muito jornalista por aí! -, e nessa hora, ele queria ver o tal do telejornal. Depois, quando ele acabava a sua hora sabática, já era a hora da minha novela. Daí era querer demais da minha pessoa! :D

6 - Tolerar música sertaneja
Sim, aprendi isso (ou então teria que mudar de família), e a apreciar Julio Iglesias (que ele gosta), Fábio Jr. e Roberto Carlos (ele detesta ambos! hahaha). "Você me pede na carta que eu desapareeeeeçaaaa, que eu nunca mais te procure e pra sempre te esqueeeeçaaaa...". Só em "nome do pai", mesmo, para ouvir uma coisa dessa!
(Tá aí: as pessoas reclamam à beça da qualidade desse gênero, mas foram esses caras os responsáveis pelos shows com grandes produções, com corpo de baile, mudança de cenários, de figurino. Sinto falta disso no universo do entretenimento brasileiro. É tudo tão basiquinho...)

5 - Respeitar Brasília
A cidade, apesar de não ser muito atrativa para mim, conta a história da minha família paterna. Meu pai chegou lá aos 12 anos, quando a cidade ainda estava em construção. Um dia, ainda pretendo gravar minhas conversas com ele sobre aqueles tempos - é pura história do Brasil!

4 - Valorizar a vida natural
Com meu pai aprendi que poucas coisas são mais gostosas que tomar banho de rio, pescar, comer frutas e verduras, tomar leite tirado da vaca e andar a cavalo. Sou bicho do asfalto, mas uma fazendinha, de vez em quando, cai bem.
Como quase nunca vou para esses lugares, "caço com gato" indo à praia ou andando por aí, ao ar livre. O contato com a natureza é algo fundamental!

3 - A ver com compaixão a pobreza
O pai já foi muito pobre e crescemos ouvindo suas histórias tristes de infância. Quando viajávamos de carro, ele costumava fazer "caridade" pela estrada: jogava pacotes de biscoitos recheados para a criançada. Era um alvorço só. Meu pai tem um respeito grande pela infância e acho que isso ele conseguiu passar pra gente.

2 - Senso de humor
Isso eu não aprendi; na verdade, herdei. Meu pai é figura e tem ótimas tiradas (mas minhas piadas são melhores que as dele, definitivamente! :P).
Poeminha abestalhado que ele compôs pra mim, anos atrás:

"Querida Juliana,
Desde que a vi, apreendi a mala,
Meu amor por tigela,
Por isso, a moela".

Entenderam o duplo sentido da coisa? Vejam o que já tive que aturar no ambiente doméstico! hehehe

1 - Honestidade
Meu pai, como funcionário público, foi exemplar. E olha que ele teve foi oportunidade para se corromper, mas sempre disse, aqui em casa, que nunca acreditou nisso, em conquistas fáceis.
Exemplar, também, foi uma lição de honestidade que me deu na infância. Toda criança gosta de bancar a esperta, né? Tive meu rasgo de malandragem uma vez, no Conjunto Nacional, na loja Brasileiras. Devia ter por volta de cinco, seis anos, e enchi os bolsos de chocolate. Consegui passar para o corredor sem ser notada. O crime perfeito. Quase. Caí na besteira de me exibir pro meu pai. O velho me fez passar a maior vergonha: me pegou pelo braço e me fez pagar o chocolate no caixa. Nunca mais fiz nada do tipo.
Ele, até hoje, ainda repete que a gente deve pagar as contas antes da data de vencimento, que nunca devemos chegar atrasados nos compromissos (isso ainda não aprendi, pra desgosto do velho, embora tenha melhorado à beça nos últimos anos!), etc, etc. Caramba, pai repete é coisa no ouvido da gente, né? Haja garganta. Haja esperança. Haja paciência. Haja amor.

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