terça-feira, 15 de junho de 2010

Frase da Semana

Que, na verdade, é um pensamento de meu bróder Jorge Negão (preciso parar de andar com esse povo de publicidade, ou vou acabar incorporando esse vocabulário de surfista! hehehe):

Eu adoro cheiro de maçã do amor.
Mas detesto o gosto.
A casca é tão doce, tão doce, que a maçã fica amarga.

Deve ser por isso que chamam de maçã do amor.
Afinal, irônica é a natureza humana.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Fragmentos sobre o amor

À luz da psicologia (de alguns)
Tenho ouvido alguns psicólogos decretando o fim do amor romântico em um futuro próximo. Acho plausível que, como ouvi de alguém, o amor caminhe do ideal (ou melhor, utopia) de fusão para o da união entre duas pessoas que se amam. Além de desejarem um relacionamento, as pessoas desejarão manter a individualidade.
Penso que uniões formais como o casamento estão com os dias contados. Só não creio que a coisa vá descambar para o oba-oba que alguns pregam por aí.
Lógico que, na "fauna humana", sempre se verá de tudo um pouco, mas duvido que swings, relacionamentos a 3 ou mesmo relacionamentos abertos serão a tônica do futuro. 
O ciúme, por exemplo, é um instinto animal; deve-se trazer esse cavalo na rédea curta, claro, mas ele nunca será extinto das relações  humanas. A gente sente ciúme de um objeto, não vai sentir do par? Aliás, um dia desses vou recomendar a uma certa psicoterapeuta que dê uma olhadinha no Animal Channel antes de fazer algumas afirmações pretensiosas sobre os relacionamentos afetivos humanos. hehehe... Essa mesma psicóloga costuma dizer que as pessoas traem só porque é bom variar. Teoria muito conveniente e simplista (e que deve lhe render vários fãs). Claro que nem toda traição implica em falta de amor, mas é claro  também que se uma relação é saudável, ela não abre brechas para um terceiro. A pessoa, quando está realmente envolvida com seu par, não consegue achar graça em ninguém mais (quem já viveu a experiência bem sabe).
Dizer que o ser humano trai porque gosta de variar é até superestimar a raça, que age muito mais por covardia que por curiosidade. Em um caso como esse, de um modo geral o traidor não está satisfeito com o que tem, mas está sem coragem de abandonar o conforto do barco. E, cá entre nós, mesmo em uma situação de traição na qual não houve realmente perfídia e é até possível ao traído compreender o traidor, é inevitável a desagradável sensação de soco no estômago de saber que há um outro despertando a atenção do seu par ou, em último caso, que foi enganado por alguém em quem confiava. Acho que não há civilização que supere esse drama milenar da humanidade, sinceramente.

Razão x Emoção
A razão deve ser incluída nessa equação do amor. Sentimento sem razão (e vice-versa) pode ser muito desastroso; no mínimo, é um sinal de imaturidade. Quem se deixa levar só pelo sentimento não ama mais, de jeito algum (assim como nem sempre o sofrimento que vem com o rompimento da relação é porque ainda se ama o ex).
Ainda assim, não acho que vai ser se apoiando exclusivamente na razão que a humanidade será mais feliz em seus relacionamentos. É como eu sempre digo: certas coisas são extremamente compreensíveis, "ajeitadinhas", quando as observamos na mente, mas têm proporções muito maiores quando vistas do ponto de vista emocional. E digo mais: essa zona de conforto não gera crescimento. É na dor que a gente mais evolui, não tem para onde correr. Acho que a sabedoria está em, além de dosar razão e emoção, escolher quando vale a pena entrar em uma situação de desconforto. Já dizia o poeta: "Morrer não dói" (embora seja inviável viver assim o tempo todo). Além do mais, certas emoções, se não são "gastas", trazem problemas do mesmo jeito.

Antes e Agora
Não acho que as novas gerações sejam muito distintas das anteriores. Mudou-se uma coisa aqui, melhorou-se outra acolá, mas continuamos oprimidos. Mulheres continuam submissas ao modelo masculino (essa "liberdade sexual" não trouxe um caminho próprio; é cópia do comportamento dos machos), gays ainda são hostilizados, quem não prioriza a vida sexual é mal visto, os travestis ainda vivem em guetos, enfim, ainda estamos longe de vivermos em liberdade. Entendo como liberdade o direito de cada um viver como quiser, por mais inusitada que seja a escolha. Repito: estamos muito longe disso.
Não acho, também, que as gerações anteriores saíram no prejuízo. Os nossos avós sabiam dar um jeitinho. Uma vez, ouvi de um professor já sexagenário que seus pais se encontravam depois do horário de namoro "oficial" na sala de casa. Ela ia "dormir" e ele, "voltava para casa", mas, na verdade, ela esperava todo mundo da casa dormir e ele parava no meio do caminho esperando ela chegar e o namoro mais quente acontecia sem que ninguém se desse conta.

Amor para a vida inteira
Há muito tempo afirmo em rodas de amigos, quando surge o tema, que o amor é uma experiência que pouquíssimos mesmo vão experimentar. O que a maioria vivencia tem outro nome: empolgação que, em seus "melhores" casos, ganha o nome de paixão. Bate forte e logo passa. The end.
Amor é um sentimento mais elevado, calmo e consistente. Até que ponto é mérito? Até que ponto é sorte? (particularmente acho que a sorte vem do mérito, mas...). Sei não, apenas creio que é uma experiência para poucos.
Mesmo aqueles casais que admiramos por terem tido uma trajetória duradoura podem ser uma fraude. Muitos ficaram na relação por covardia, por convenção. Ainda entre aqueles que viveram um amor duradouro, no fim, pelo que tenho observado, tudo vira uma sólida amizade. E isso não significa pouca coisa!
Pessoalmente, sempre considerei a amizade a relação mais preciosa que uma pessoa pode desenvolver. A família vai ter que te aguentar (e vice-versa) de qualquer jeito. No romance, há o interesse físico em jogo. O afeto da amizade não tem nenhum interesse ou obrigação; é puro gostar.  Por isso é tão especial ter um grande amigo.
Toda boa relação, em minha opinião, tem como base uma sólida amizade, uma grande parceria. Só atração física não segura um casal junto.

Uma segunda chance para o amor
Amor simplesmente acontece e é bem-vindo em qualquer fase da vida. Tia Lourdinha me provou que nem tudo está perdido: dá para ser feliz mesmo na terceira idade e a sensação de liberdade pode nos transformar muito.
Tia Lourdes foi (mal) casada por 40 anos com tio Vadinho. Sempre risonha, pensávamos que, de algum modo, ela devia ser feliz com ele, apesar de se tratar de um homem difícil. Um dia, algum tempo depois que o tio havia falecido, a encontramos toda-toda, no meio de rua, com uma aparência bem mais jovem (influência das roupas mais alegres), inclusive. Estranhamos o visual. E o mais espetacular: a tia estava de carro zero, havia tirado carteira. Foi um choque, mas não mais do que escutamos dela sentada em nosso sofá. A viúva revelou que o falecimento do marido foi algo bom que lhe acontecera. Disse ainda que "a melhor coisa da vida é a liberdade da gente". E, pasme!, essa senhora, testemunha de jeová há anos, nos contou que estava namorando um homem 30 anos mais jovem. Maravilha! hahaha
É, como cantava Los Hermanos, "e ninguém dirá que é tarde demais".
Também acredito em uma segunda chance para aqueles que viviam de maneira "torta", isto é, quando se apaixonam de verdade. Amor (mais uma vez, não confundir com empolgação/paixão) pode transformar, sim, as pessoas.

Por que(m) se apaixona?
Há quem diga que os grandes amores acontecem até os 12 anos (quem diz isso é Nelson, e penso que há certo fundamento). Ouvi dizer, algumas vezes, que a gente ama projetando aquele nosso lado menos desenvolvido no outro (por isso é comum um tímido se apaixonar pelo extrovertido e vice-versa; há quem diga que esse tipo de projeção revela complexo de inferioridade. vá saber!). Já li, inclusive, que é uma questão de topar com um sistema imunológico complementar ao seu (teoria pouco romântica, mas até que faz sentido. "Baby, com o seu sistema imunológico e o meu, seremos imbatíveis contra os vírus e germes!"). Segundo a astrologia, homens procuram a vênus de seu mapa e as mulheres, o seu marte. Mas a teoria para a qual venho encontrando mais comprovação é a de que nos apaixonamos por quem nos lembra o nosso pai (no caso das mulheres) ou a nossa mãe (no caso dos homens). Na mulherada, então, a teoria cai muito bem... Geralmente nossos afetos atuais repetem as vivências com afetos passados. 
Acho que cabe aqui aquela máxima de Jung: "O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino."



Ninguém é substituível
Neste último final de semana, conheci Nina, minha "sobrinha de quatro patas". Após quatro anos sem um focinho circulando pela casa - e isso depois de quinze anos criando "cofaps" -, me animei com a chegada dela. Nos demos bem à primeira vista e ela gostou de mim mais do que esperava.
Achava que isso ia fazer parar a saudade da outra que faleceu. Ledo e ivo engano. Além de não substituir, ainda faz você se lembrar mais. 
Enfim, um afeto não substitui o outro. Cada pessoa, cada história, é única.

"You can´t hurry love..."
"...you just have to wait". 
Superstição minha, que ninguém precisa, obviamente, compartilhar: tudo que é forçado não dá bom resultado. Lógico que nem sempre me foi possível segui-la (e quando isso não aconteceu, me dei mal. :(). A boa notícia é que tudo vale a pena, mesmo quando dá tudo errado, "se a (sua) alma não é pequena". "Whatever works", como diz Woody Allen. Mas procuro respeitar a mim mesma e a vida, pois assim, creio, ela me abençoa.
Penso realmente que, nessas coisas do coração, não tem que procurar ou pra quê forçar os acontecimentos. Simplesmente deixa rolar. Os melhores casais que conheço se uniram com um bom empurrão do destino - isso não acontece só em novela; na vida real, os grandes encontros costumam ser inesperados. O coração saberá reconhecer quem lhe faz bem.
Como diz o poema, "não corra atrás das borboletas; cuide do seu jardim para que elas venham até você".

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Império do Amor

Peço licença ao meu amado Flamengo para emprestar o apelido para uma cidade especial da Bahia: Ibotirama.

Hoje à tarde, ouvi o relato de episódios de puro "carinho" cujo cenário é o município baiano em questão. Marido que arranca o pedaço da orelha da esposa é só um exemplo. Enfim, queridos, encher os outros de alfinetes é um gesto singelo, mínimo mesmo de "amor" ao próximo praticado neste território baiano.
Para completar a "doçura" do lugar, o cantor Tayrone Cigano anda circulando muito por lá. Tayrone é sucesso do mundo brega e tem entre os seus entusiastas figuras como o escritor e jornalista Xico Sá*. Detalhe básico: dizem que o cigano matou a mulher e o ex-amante dela.TudoavercomIbotirama!

População "fofa" a de Ibotirama, não?

Fernandinha, vou tomar a liberdade de mudar a sua assinatura.Que tal, de agora em diante, assinar "Nandy (So) Love", hein? :P

* "Tayrone representa a vingança, para o macho traído; para as mulheres, virilidade. O boato das mortes e a carreira romântica são a síntese do bruto que também ama e hoje canta seu arrependimento".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Não seriam todos os brancos travestis?

Por Leandro Colling

O que ainda pode e deve ser dito para criticar o chamado “mito da democracia racial” no Brasil e o uso do argumento da miscigenação para atenuar ou mascarar os preconceitos raciais que ainda vigoram no país? O livro Aqui ninguém é branco (Editora Aeroplano), da professora Liv Sovik, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, oferece algumas respostas para essa pergunta que, é bom frisar, não está formulada dessa forma simples na obra.
A tese central do livro é que o brasileiro branco se invisibiliza para que tudo se mantenha como está, para que o preconceito para com os negros sobreviva. Não é mesma coisa que dizer que aqui não há preconceito porque somos miscigenados racial e culturalmente. É defender a ideia de que aqui não há brancos para que os brancos, com sua branquitude (que não é apenas um dado da genética, mas, fundamentalmente, simbólica), permaneçam exercendo o papel de senhores perante os seus escravos.
De forma resumida e incompleta, essa é a tese que atravessa todos os ensaios que compõe o livro da professora que ficou conhecida na academia brasileira por organizar o livro Da diáspora, identidades e mediações culturais (Editora UFMG, 2003), de Stuart Hall. Antes disso, Hall era pouco conhecido no país e hoje é leitura obrigatória em vários cursos de graduação e pós-graduação brasileiros. Aliás, Hall parece ser o grande guia do olhar de Liv em Aqui ninguém é branco.
Depois de dois ensaios, considerados por ela por “teóricos”, nos quais também analisa a imprensa em geral e cita algumas coberturas e questões em particular (por exemplo, como os rostos brancos eram maioria na transmissão televisiva do Carnaval em Homenagem à África, o Carnaváfrica, em 2002, em Salvador), Liv apresenta outros quatro ensaios chamados de “musicais”. Certamente, o leitor que não gosta de textos mais “acadêmicos” vai se sentir muito mais atraído para ler esses quatro textos, nos quais a pesquisadora analisa como a tese central do livro aparece na música brasileira: na bossa nova, em Angela Maria, em Caetano Veloso e, por último, em Daniela Mercury, Gabriel o Pensador e Marcelo Yuka.
Provavelmente, o texto sobre Daniela deverá causar polêmica entre os fãs da rainha da axé- music, considerada por Liv como uma “travesti”. De longe, é para Daniela que Liv direciona suas críticas mais incisivas, mas Caetano também é considerado, ao fim do texto em que ela analisa o CD e show Noites do norte, alguém que é “mais o senhor do que escravo”. A bossa nova também recebe críticas por sua branquitude e por ter apagado Angela Maria, uma “mulher, negra e operária”. De todos os artistas, o menos criticado é Marcelo Yuka, considerado por ela um cidadão.
Mas o que Liv quer dizer? Para entender os seus argumentos, é vital enfrentar os ensaios ditos mais “teóricos” que abrem o livro. Isso porque a proposta, frisa Liv, não é “denunciar a branquitude essencial que está por trás” dos artistas que ela analisa, mas de “examinar as diversas posturas sobre a raça que se encontram na música popular”. Então, façamos um esforço para voltar aos ensaios teóricos para depois retomar as análises musicais que, lidas isoladamente, podem gerar incompreensões e polêmicas gratuitas.
Liv pretende revelar como a branquitude, pouco discutida dentro e fora da academia brasileira, se tornou, de forma consciente ou não, uma estratégia para que os brancos permaneçam brancos senhores perante os negros escravos. Um dos vários argumentos que ela aponta, que chama atenção para um leitor atento, é mais ou menos o seguinte: os brancos que valorizam a cultura negra, que convivem com os negros, não fazem isso para parecerem negros, para aceitarem a cultura negra. Fazem isso muito mais para evidenciarem a sua branquitude (cujo prestígio se exerce, diz ela, silenciosamente no cotidiano).
É claro que a autora não pretende fazer generalizações, mas essa não é uma constatação pertinente? O quanto a mestiçagem é usada como “fiel escudeiro” da branquitude? Silviano Santiago, no prefácio com rasgados elogios ao livro, diz: “Do romancista afro-americano Ralph Ellison, que na segregação norte-americana enxergou a invisibilidade do negro, Liv roubou o avesso para vesti-lo no branco brasileiro. O modo social da invisibilidade do branco no país da mestiçagem”.
Liv releva também de onde tirou o título de seu livro. Na época em que era professora da Faculdade de Comunicação da UFBA, em uma discussão sobre afro-baianidade, perguntou para um aluno como era ser branco na Bahia: “’Aqui ninguém é branco´ foi a resposta que ouvi. A resposta me dizia, implicitamente, ‘só você, aqui, é branca’. Difícil negar, pois minha brancura estrangeira já se comprovou gritante, era de parar taxista”.
A autora nega que aqui ninguém seja branco, mas não para usar uma dicotomia negros versus brancos, muita usada onde ela foi criada, nos Estados Unidos, e muito criticada, por alguns que desejam usar esse modelo para analisar as relações raciais no Brasil. Aliás, Liv também gasta várias páginas para discutir o uso do modelo americano para pensar a problemática brasileira.
O que Liv pretende demonstrar é que, ainda que sejamos miscigenados genética e culturalmente, aqui há, sim, brancos. Caso contrário, não teríamos distinções. Como ela diz: “Ser branco, neste país arco-íris, é uma espécie de aval, um sinal de que se tem dinheiro, mesmo quando não existem outros sinais, é andar com fiador imaginário a tiracolo. Ser branco estrangeiro é entrar em condomínio fechado ou restaurante de luxo, suado e malvestido”.
Ora, se isso é verdade, e é difícil não concordar com essa afirmação, em especial se pensarmos em cidades como Salvador, os brancos existem. A distinção existe e quem leva a pior nesse processo é, em geral, o negro.


Quanto mais a cultura negra consegue se expandir, mais a branquitude apela para o discurso da miscigenação para que o reconhecimento da negritude não desbanque os brancos das classes dominantes. Por essas questões, Liv defende que “é necessário analisar a articulação silenciosa da hegemonia branca”.
As reflexões de Liv seguem esse caminho e são muito mais refinadas do que consta nessa rápida resenha, mas, dito isso, podemos voltar para as suas análises sobre a música popular. Nelas, Liv tenta identificar como a branquitude aparece nas produções, nas performances dentro e fora dos palcos e também em entrevistas (ela própria entrevistou Caetano, em 2002). Liv conta que “são muitas as vozes ouvidas em Noites do norte”, CD inspirado no abolicionista Joaquim Nabuco. A autora elenca as várias vozes, mas destaca que elas “chamam a atenção pela sua capacidade de extrair o bom do ruim”.
Por exemplo, o acolhimento afetivo do negro escravo para com o branco, a romantização do sofrimento dos escravos, entre outros. Mas, apesar de dizer que Caetano é mais senhor do que escravo, isso não faz Liv chamá-lo de travesti, como ela denomina Daniela.


Ao analisar Daniela, primeiro Liv recupera uma fala de João Jorge, do Olodum, que critica a cantora por não ter, na opinião dele, dado uma contrapartida pelo uso “da nossa riqueza, nossa herança”. Depois, a professora lembra das políticas governamentais para a valorização da cultura negra, o que seria uma das razões para que as pessoas não estranhassem que Daniela cantasse “a cor dessa cidade sou eu”.
E continua: “Daniela apoiou desde cedo a valorização da cultura negra. Ela contribuiu para a mudança da hegemonia branca na Bahia, pelo menos na sua identidade cultural, para uma coloração imaginária mais próxima à da população, mas ficou numa estranha posição, para quem a vê de fora e fora do carnaval, de uma espécie de travesti. Ela usa a fantasia, se veste de negra, mas todos sabem que não é”. E diz mais: “Daniela se fantasia, usa máscara, finge ser o que não é”.
Já Gabriel o Pensador, não usa fantasia, segundo Liv, porque suas letras o identificam como branco. E Marcelo Yuka? “(…) ele reconhece que está incrustado em uma realidade predominantemente negra, faz parte integral dessa realidade, é cúmplice de negros oprimidos pelo racismo. O letrista articula uma crítica antirracista cidadã, sem vestir as roupagens da cultura negra, como faz Daniela”. Sim, mas mesmo guardadas as devidas proporções, não seriam, então, todos os brancos uma espécie de travestis?
O debate está aberto.
Leandro Colling é professor adjunto do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, da UFBA.

Fonte: Jornal A Tarde - Caderno 2

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Não existe pessoa feia...

... O mal de alguns é a pobreza!

Veja Gorete, que sofreu uma transformação patrocinada pelo Pânico e agora desfila cabelos by Marco Antônio de Biaggi!
(A própria Sabrina ficou muiiito melhor depois que virou celeb e começou a ganhar dindim!)

Frase de Semana

"Moralidade é simplesmente uma atitude que adotamos frente às pessoas que não gostamos."

    (Oscar Wilde)

Tudo pode dar certo

Uns acharam bom, outros acharam ruim, e assim é a vida, todos opinam aqui e ali, e eu serei apenas mais uma a palpitar sobre o recente filme de Woody Allen. É possível que você concorde comigo e estaremos em sintonia, ou você irá discordar, engrossando a turma dos que acham que Woody Allen não é mais o mesmo, ou você talvez sempre tenha considerado Woody Allen um chato de galochas, ou vai ver nem sabe quem é esse tal de Woody Allen, e nada disso mudará uma única fagulha no curso do universo.

* * *

O monólogo de abertura de Tudo Pode Dar Certo, com Larry David no papel do mal-humorado Boris, traz esse espírito fatalista. Segundo ele, nada tem muito sentido, a sorte é que manda no jogo, e se ao menos facilitássemos as coisas para tornar nossos dias mais suportáveis, mas fazemos justamente o contrário. “As pessoas tornam a vida pior do que é preciso”, reclama o protagonista.

* * *

Na contramão da crítica especializada, para mim Woody Allen está cada vez melhor, se não como cineasta, ao menos como filósofo. Tem se revelado mais debochado e mais leve, como convém a um homem inteligente que está chegando aos 75 anos e que aprendeu que só o que nos cabe nessa vida é não fazer mal aos outros e usufruir da melhor maneira a honra de ter nascido.

Dessa vez, Woody Allen foi fundo na caricatura. Mostra um personagem ranzinza que fracassa em suas duas tentativas de suicídio, uma loirinha desmiolada, uma senhora careta que reavalia seus conceitos e “se reinventa”, um príncipe encantado cujo único atrativo é ser bonitão e um pai de família temente a Deus que descobre que é um gay enrustido. “Às vezes os clichês são a melhor forma de dizer as coisas”, alerta Boris ainda no início do filme.
Quando assisti a Igual a Tudo na Vida, filme de 2003, lembro de ter comentado que Woody Allen havia se dado alta. E sigo com a mesma impressão. Em suas obras anteriores (principalmente as realizadas entre o final dos anos 70 e o início dos 90), todas ricas e consistentes em seus questionamentos existenciais, o diretor parecia dizer: “Não há cura”. Em sua resignada fase atual, ele parece dizer: “Não há doença”. O diretor está apenas confirmando que não temos nenhum domínio sobre os mistérios que nos rondam e sobre experiências nunca testadas. Então, não importa o que façamos, o risco de dar certo é o mesmo de dar errado, e até quando parece que dá errado, funciona. Qualquer coisa funciona. Até um Woody Allen clichê.

Martha Medeiros, Jornal de Sta Catarina-16/05/2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Frase da Semana

"Deixo meu corpo e saio, para longe, para lugar nenhum, e não quero estar com ninguém, nem mesmo comigo."
(Eduardo Galeano)

Quem nunca se sentiu assim?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Campanha "Dia Dos Namorados"

Antecipo, este ano, o tradicional especial de Dia dos Namorados deste blog. Tô imitando Sílvio de Abreu. Não quero disputar atenções com a Copa do Mundo.
Em 2010 o post é, na verdade, uma campanha beneficente (a mim mesma), que, penso, também se estende a candidata presidencial "Dilma Do Chefe"! :P

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A vingança dos magrelos...


... É ganhar corpo (e charme) numa época da vida em que os sujeitos que eram os bonitões, antes, começam a embagulhar. Que o diga Patrick Dempsey, 44, que era muito feio (e muito magro!) aos 20 e hoje está ó-ti-mo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Frase da Semana

1. “Estar certa é uma coisa solitária.” 
(Mary Tyler Moore, atriz)
 2. “Eu nunca cometi um erro na minha vida. Achei que tivesse cometido uma vez, mas eu estava errada”.
(Lucy Van Pelt - Snoopy)

sábado, 24 de abril de 2010

Dia do Livro

Hoje é o Dia do Livro. Nem sabia, vi no twitter.
Mais uma coincidência para a minha vasta coleção: esta semana pensei muito em escrever sobre um livro que, certamente, pouca gente teve a curiosidade de ler, apesar de ter servido de base para um filme muito conhecido, de Steven Spielberg: "A Cor Púrpura". É um livro de ficção, da autora Alice Walker. Na verdade, poderia dizer que é quase um ensaio sobre a marginalidade/exclusão. Ninguém, ali, é "adequado".
A personagem principal é uma negra, pobre e órfã que, no Sul dos EUA da primeira metade do século 20, tem uma trajetória de vida muito miserável ao lado de um marido opressor. Para não se sentir tão sozinha, ela - Celie - costuma escrever cartas para Deus.
A história é tocante, bonita mesmo. E o melhor: é de fácil entendimento (os americanos têm a técnica de contar bem uma história. Impressionante!...); pode presentear aquela tia burra com um exemplar, que ela não vai se apertar (quer dizer, há alguns temas controversos, mas daí já é outra história).
Quem o ler, talvez, assim como eu fique com a impressão de que Steven é realmente um bom adaptador. Ele conseguiu manter, no filme, a essência do livro, mesmo tendo cortado várias partes desse.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Roque Santeiro (in Salvador)

Pra quem pensava que um casal como a Viúva e o Sinhorzinho era coisa de ficção, "ó paí, ó"!
(E eu achava que o amor e o poder só se harmonizavam na voz de Rosana... "Como uma deuuuuuusaaaa você me mantééém...")

E, SteFHany, vá se despedindo da coroa, que o Nordeste já tem outra ABSOLUTA pra pôr no seu lugar!
"Tô certa ou tô errada?" :P

terça-feira, 13 de abril de 2010

Frase Da Semana

Tudo é questão de objetivo - você pode ser o último dos rápidos ou o vencedor dos lentos.

Millôr Fernandes

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Justin Bieber

Das duas, uma: ou eu cresci e perdi a compreensão do que é ser uma adolescente fascinada por carinhas de boybands, ou eles realmente estão cada vez mais jovens e com cara de nada.

Pois é, blame Canada.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

S.O.S. Twitter

Socorroooooooo!...
Alguém, aí, barre as celebridades do Twitter. Tá um saco! Elas não sabem fazer outra coisa que não twittar pedidos vazios de ajuda para o Rio e retwittar mensagens do tipo.
Sinta o drama:
"Gente , vamos ser companheiros e solidarios com nosso Rio de Janeiro...Força e uniao gente!!!"
(@SabrinaSatoReal)
Não, não e não. Sabrina Sato e engajamento social são como sorvete e farinha: uma mistura indigesta.
 
(É nessas horas que a gente dá valor - ô!... - aos assessores de imprensa, que barram bizarrices do tipo vindas de seus assessorados!... Os assessores são a Santé intelectual dessa gente - e tenho dito!)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia do Jornalista

"O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter." 
Claudio Abramo

Roda Baiana Rules!

Olha, eu adoro escutar a Metrópole. Claro que, como toda programação, há faixas mais "quentes" e outras mais "mornas". A das 12h às 15h é maaaaara!... "Roda Baiana", apresentado por Jonga Cunha, Fernando Guerreiro (aquele que defendeu Alosa de 'vocês-sabem-quem'. hahaha...) e André Simões é divertido à beça.
Outro dia, morri de rir com uma sacanagem que eles fizeram com o entrevistado do dia, ninguém menos que Jesus Sangalo. No meio da conversa, jogaram a bomba: "Jesus, e a Fera Gorda?". Saia-justíssima, que nem a cirurgia bariátrica amenizou. Que fez Jesus? Não sei se ele perdoou os apresentadores 70 x 7, mas deu seu jeito de sair pela tangente, como quem peida no elevador e olha pra cima pra ver se vai chover ou não. "Ah, foi uma experiência linda em minha vida!...". ("Aham, Cláudia, senta lá!...")
Ontem, o programa entrevistou uma diretora de arte, a Vera Hamburger. A artista falou de cinema, de televisão, e fez uma observação interessante sobre os cenários de teledramaturgia: é aquela realidade que não existe (a parede sem uma mancha, o sofá sem nenhum furinho, uma  organização só), mas que tem ar de realidade para quem a vê. Só lembrei de Lídia Brondi, em "Meu bem, meu mal". Ela fazia papel de pobre nesta novela, e além de andar impecável, superfashion, sua casa era tão bacaninha que até tinha um telefone que tava na moda na época - 1990. Eu, abelhuda desde pequena, ficava reparando nos pertences da moça da novela das oito. Especulava, cá com os meus botões, que isso não podia, afinal, eu tinha até andado de avião (coisa muy chique naquela época - te mete!), e a Lídia Brondi, que fazia papel de pobre, tinha o telefone da moda e eu ainda com o meu velhão, ora, ora!...

Assistam o Roda. De segunda a sexta, das 13h às 14h, na 101.3 FM.

Setaro lança livro

Lançamento do livro de André Setaro, "Escritos sobre cinema", em 3 volumes, dia 13 de abril, às 20 horas, Cinema do Museu.