À luz da psicologia (de alguns)
Tenho ouvido alguns psicólogos decretando o fim do amor romântico em um futuro próximo. Acho plausível que, como ouvi de alguém, o amor caminhe do ideal (ou melhor, utopia) de fusão para o da união entre duas pessoas que se amam. Além de desejarem um relacionamento, as pessoas desejarão manter a individualidade.
Penso que uniões formais como o casamento estão com os dias contados. Só não creio que a coisa vá descambar para o oba-oba que alguns pregam por aí. Lógico que, na "fauna humana", sempre se verá de tudo um pouco, mas duvido que swings, relacionamentos a 3 ou mesmo relacionamentos abertos serão a tônica do futuro.
Tenho ouvido alguns psicólogos decretando o fim do amor romântico em um futuro próximo. Acho plausível que, como ouvi de alguém, o amor caminhe do ideal (ou melhor, utopia) de fusão para o da união entre duas pessoas que se amam. Além de desejarem um relacionamento, as pessoas desejarão manter a individualidade.
Penso que uniões formais como o casamento estão com os dias contados. Só não creio que a coisa vá descambar para o oba-oba que alguns pregam por aí. Lógico que, na "fauna humana", sempre se verá de tudo um pouco, mas duvido que swings, relacionamentos a 3 ou mesmo relacionamentos abertos serão a tônica do futuro.
O ciúme, por exemplo, é um instinto animal; deve-se trazer esse cavalo na rédea curta, claro, mas ele nunca será extinto das relações humanas. A gente sente ciúme de um objeto, não vai sentir do par? Aliás, um dia desses vou recomendar a uma certa psicoterapeuta que dê uma olhadinha no Animal Channel antes de fazer algumas afirmações pretensiosas sobre os relacionamentos afetivos humanos. hehehe... Essa mesma psicóloga costuma dizer que as pessoas traem só porque é bom variar. Teoria muito conveniente e simplista (e que deve lhe render vários fãs). Claro que nem toda traição implica em falta de amor, mas é claro também que se uma relação é saudável, ela não abre brechas para um terceiro. A pessoa, quando está realmente envolvida com seu par, não consegue achar graça em ninguém mais (quem já viveu a experiência bem sabe).
Dizer que o ser humano trai porque gosta de variar é até superestimar a raça, que age muito mais por covardia que por curiosidade. Em um caso como esse, de um modo geral o traidor não está satisfeito com o que tem, mas está sem coragem de abandonar o conforto do barco. E, cá entre nós, mesmo em uma situação de traição na qual não houve realmente perfídia e é até possível ao traído compreender o traidor, é inevitável a desagradável sensação de soco no estômago de saber que há um outro despertando a atenção do seu par ou, em último caso, que foi enganado por alguém em quem confiava. Acho que não há civilização que supere esse drama milenar da humanidade, sinceramente.
Razão x Emoção
A razão deve ser incluída nessa equação do amor. Sentimento sem razão (e vice-versa) pode ser muito desastroso; no mínimo, é um sinal de imaturidade. Quem se deixa levar só pelo sentimento não ama mais, de jeito algum (assim como nem sempre o sofrimento que vem com o rompimento da relação é porque ainda se ama o ex).
Ainda assim, não acho que vai ser se apoiando exclusivamente na razão que a humanidade será mais feliz em seus relacionamentos. É como eu sempre digo: certas coisas são extremamente compreensíveis, "ajeitadinhas", quando as observamos na mente, mas têm proporções muito maiores quando vistas do ponto de vista emocional. E digo mais: essa zona de conforto não gera crescimento. É na dor que a gente mais evolui, não tem para onde correr. Acho que a sabedoria está em, além de dosar razão e emoção, escolher quando vale a pena entrar em uma situação de desconforto. Já dizia o poeta: "Morrer não dói" (embora seja inviável viver assim o tempo todo). Além do mais, certas emoções, se não são "gastas", trazem problemas do mesmo jeito.
Antes e Agora
Não acho que as novas gerações sejam muito distintas das anteriores. Mudou-se uma coisa aqui, melhorou-se outra acolá, mas continuamos oprimidos. Mulheres continuam submissas ao modelo masculino (essa "liberdade sexual" não trouxe um caminho próprio; é cópia do comportamento dos machos), gays ainda são hostilizados, quem não prioriza a vida sexual é mal visto, os travestis ainda vivem em guetos, enfim, ainda estamos longe de vivermos em liberdade. Entendo como liberdade o direito de cada um viver como quiser, por mais inusitada que seja a escolha. Repito: estamos muito longe disso.
Não acho, também, que as gerações anteriores saíram no prejuízo. Os nossos avós sabiam dar um jeitinho. Uma vez, ouvi de um professor já sexagenário que seus pais se encontravam depois do horário de namoro "oficial" na sala de casa. Ela ia "dormir" e ele, "voltava para casa", mas, na verdade, ela esperava todo mundo da casa dormir e ele parava no meio do caminho esperando ela chegar e o namoro mais quente acontecia sem que ninguém se desse conta.
Amor é um sentimento mais elevado, calmo e consistente. Até que ponto é mérito? Até que ponto é sorte? (particularmente acho que a sorte vem do mérito, mas...). Sei não, apenas creio que é uma experiência para poucos.
Mesmo aqueles casais que admiramos por terem tido uma trajetória duradoura podem ser uma fraude. Muitos ficaram na relação por covardia, por convenção. Ainda entre aqueles que viveram um amor duradouro, no fim, pelo que tenho observado, tudo vira uma sólida amizade. E isso não significa pouca coisa!
Pessoalmente, sempre considerei a amizade a relação mais preciosa que uma pessoa pode desenvolver. A família vai ter que te aguentar (e vice-versa) de qualquer jeito. No romance, há o interesse físico em jogo. O afeto da amizade não tem nenhum interesse ou obrigação; é puro gostar. Por isso é tão especial ter um grande amigo.
Toda boa relação, em minha opinião, tem como base uma sólida amizade, uma grande parceria. Só atração física não segura um casal junto.
Tia Lourdes foi (mal) casada por 40 anos com tio Vadinho. Sempre risonha, pensávamos que, de algum modo, ela devia ser feliz com ele, apesar de se tratar de um homem difícil. Um dia, algum tempo depois que o tio havia falecido, a encontramos toda-toda, no meio de rua, com uma aparência bem mais jovem (influência das roupas mais alegres), inclusive. Estranhamos o visual. E o mais espetacular: a tia estava de carro zero, havia tirado carteira. Foi um choque, mas não mais do que escutamos dela sentada em nosso sofá. A viúva revelou que o falecimento do marido foi algo bom que lhe acontecera. Disse ainda que "a melhor coisa da vida é a liberdade da gente". E, pasme!, essa senhora, testemunha de jeová há anos, nos contou que estava namorando um homem 30 anos mais jovem. Maravilha! hahaha
É, como cantava Los Hermanos, "e ninguém dirá que é tarde demais".
Também acredito em uma segunda chance para aqueles que viviam de maneira "torta", isto é, quando se apaixonam de verdade. Amor (mais uma vez, não confundir com empolgação/paixão) pode transformar, sim, as pessoas.
Por que(m) se apaixona?
Há quem diga que os grandes amores acontecem até os 12 anos (quem diz isso é Nelson, e penso que há certo fundamento). Ouvi dizer, algumas vezes, que a gente ama projetando aquele nosso lado menos desenvolvido no outro (por isso é comum um tímido se apaixonar pelo extrovertido e vice-versa; há quem diga que esse tipo de projeção revela complexo de inferioridade. vá saber!). Já li, inclusive, que é uma questão de topar com um sistema imunológico complementar ao seu (teoria pouco romântica, mas até que faz sentido. "Baby, com o seu sistema imunológico e o meu, seremos imbatíveis contra os vírus e germes!"). Segundo a astrologia, homens procuram a vênus de seu mapa e as mulheres, o seu marte. Mas a teoria para a qual venho encontrando mais comprovação é a de que nos apaixonamos por quem nos lembra o nosso pai (no caso das mulheres) ou a nossa mãe (no caso dos homens). Na mulherada, então, a teoria cai muito bem... Geralmente nossos afetos atuais repetem as vivências com afetos passados.
Acho que cabe aqui aquela máxima de Jung: "O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino."
Achava que isso ia fazer parar a saudade da outra que faleceu. Ledo e ivo engano. Além de não substituir, ainda faz você se lembrar mais.
Enfim, um afeto não substitui o outro. Cada pessoa, cada história, é única.
Superstição minha, que ninguém precisa, obviamente, compartilhar: tudo que é forçado não dá bom resultado. Lógico que nem sempre me foi possível segui-la (e quando isso não aconteceu, me dei mal. :(). A boa notícia é que tudo vale a pena, mesmo quando dá tudo errado, "se a (sua) alma não é pequena". "Whatever works", como diz Woody Allen. Mas procuro respeitar a mim mesma e a vida, pois assim, creio, ela me abençoa.
Penso realmente que, nessas coisas do coração, não tem que procurar ou pra quê forçar os acontecimentos. Simplesmente deixa rolar. Os melhores casais que conheço se uniram com um bom empurrão do destino - isso não acontece só em novela; na vida real, os grandes encontros costumam ser inesperados. O coração saberá reconhecer quem lhe faz bem.
Como diz o poema, "não corra atrás das borboletas; cuide do seu jardim para que elas venham até você".
Dizer que o ser humano trai porque gosta de variar é até superestimar a raça, que age muito mais por covardia que por curiosidade. Em um caso como esse, de um modo geral o traidor não está satisfeito com o que tem, mas está sem coragem de abandonar o conforto do barco. E, cá entre nós, mesmo em uma situação de traição na qual não houve realmente perfídia e é até possível ao traído compreender o traidor, é inevitável a desagradável sensação de soco no estômago de saber que há um outro despertando a atenção do seu par ou, em último caso, que foi enganado por alguém em quem confiava. Acho que não há civilização que supere esse drama milenar da humanidade, sinceramente.
Razão x Emoção
A razão deve ser incluída nessa equação do amor. Sentimento sem razão (e vice-versa) pode ser muito desastroso; no mínimo, é um sinal de imaturidade. Quem se deixa levar só pelo sentimento não ama mais, de jeito algum (assim como nem sempre o sofrimento que vem com o rompimento da relação é porque ainda se ama o ex).
Ainda assim, não acho que vai ser se apoiando exclusivamente na razão que a humanidade será mais feliz em seus relacionamentos. É como eu sempre digo: certas coisas são extremamente compreensíveis, "ajeitadinhas", quando as observamos na mente, mas têm proporções muito maiores quando vistas do ponto de vista emocional. E digo mais: essa zona de conforto não gera crescimento. É na dor que a gente mais evolui, não tem para onde correr. Acho que a sabedoria está em, além de dosar razão e emoção, escolher quando vale a pena entrar em uma situação de desconforto. Já dizia o poeta: "Morrer não dói" (embora seja inviável viver assim o tempo todo). Além do mais, certas emoções, se não são "gastas", trazem problemas do mesmo jeito.
Antes e Agora
Não acho que as novas gerações sejam muito distintas das anteriores. Mudou-se uma coisa aqui, melhorou-se outra acolá, mas continuamos oprimidos. Mulheres continuam submissas ao modelo masculino (essa "liberdade sexual" não trouxe um caminho próprio; é cópia do comportamento dos machos), gays ainda são hostilizados, quem não prioriza a vida sexual é mal visto, os travestis ainda vivem em guetos, enfim, ainda estamos longe de vivermos em liberdade. Entendo como liberdade o direito de cada um viver como quiser, por mais inusitada que seja a escolha. Repito: estamos muito longe disso.
Não acho, também, que as gerações anteriores saíram no prejuízo. Os nossos avós sabiam dar um jeitinho. Uma vez, ouvi de um professor já sexagenário que seus pais se encontravam depois do horário de namoro "oficial" na sala de casa. Ela ia "dormir" e ele, "voltava para casa", mas, na verdade, ela esperava todo mundo da casa dormir e ele parava no meio do caminho esperando ela chegar e o namoro mais quente acontecia sem que ninguém se desse conta.
Amor para a vida inteira
Há muito tempo afirmo em rodas de amigos, quando surge o tema, que o amor é uma experiência que pouquíssimos mesmo vão experimentar. O que a maioria vivencia tem outro nome: empolgação que, em seus "melhores" casos, ganha o nome de paixão. Bate forte e logo passa. The end.Amor é um sentimento mais elevado, calmo e consistente. Até que ponto é mérito? Até que ponto é sorte? (particularmente acho que a sorte vem do mérito, mas...). Sei não, apenas creio que é uma experiência para poucos.
Mesmo aqueles casais que admiramos por terem tido uma trajetória duradoura podem ser uma fraude. Muitos ficaram na relação por covardia, por convenção. Ainda entre aqueles que viveram um amor duradouro, no fim, pelo que tenho observado, tudo vira uma sólida amizade. E isso não significa pouca coisa!
Pessoalmente, sempre considerei a amizade a relação mais preciosa que uma pessoa pode desenvolver. A família vai ter que te aguentar (e vice-versa) de qualquer jeito. No romance, há o interesse físico em jogo. O afeto da amizade não tem nenhum interesse ou obrigação; é puro gostar. Por isso é tão especial ter um grande amigo.
Toda boa relação, em minha opinião, tem como base uma sólida amizade, uma grande parceria. Só atração física não segura um casal junto.
Uma segunda chance para o amor
Amor simplesmente acontece e é bem-vindo em qualquer fase da vida. Tia Lourdinha me provou que nem tudo está perdido: dá para ser feliz mesmo na terceira idade e a sensação de liberdade pode nos transformar muito.Tia Lourdes foi (mal) casada por 40 anos com tio Vadinho. Sempre risonha, pensávamos que, de algum modo, ela devia ser feliz com ele, apesar de se tratar de um homem difícil. Um dia, algum tempo depois que o tio havia falecido, a encontramos toda-toda, no meio de rua, com uma aparência bem mais jovem (influência das roupas mais alegres), inclusive. Estranhamos o visual. E o mais espetacular: a tia estava de carro zero, havia tirado carteira. Foi um choque, mas não mais do que escutamos dela sentada em nosso sofá. A viúva revelou que o falecimento do marido foi algo bom que lhe acontecera. Disse ainda que "a melhor coisa da vida é a liberdade da gente". E, pasme!, essa senhora, testemunha de jeová há anos, nos contou que estava namorando um homem 30 anos mais jovem. Maravilha! hahaha
É, como cantava Los Hermanos, "e ninguém dirá que é tarde demais".
Também acredito em uma segunda chance para aqueles que viviam de maneira "torta", isto é, quando se apaixonam de verdade. Amor (mais uma vez, não confundir com empolgação/paixão) pode transformar, sim, as pessoas.
Por que(m) se apaixona?
Há quem diga que os grandes amores acontecem até os 12 anos (quem diz isso é Nelson, e penso que há certo fundamento). Ouvi dizer, algumas vezes, que a gente ama projetando aquele nosso lado menos desenvolvido no outro (por isso é comum um tímido se apaixonar pelo extrovertido e vice-versa; há quem diga que esse tipo de projeção revela complexo de inferioridade. vá saber!). Já li, inclusive, que é uma questão de topar com um sistema imunológico complementar ao seu (teoria pouco romântica, mas até que faz sentido. "Baby, com o seu sistema imunológico e o meu, seremos imbatíveis contra os vírus e germes!"). Segundo a astrologia, homens procuram a vênus de seu mapa e as mulheres, o seu marte. Mas a teoria para a qual venho encontrando mais comprovação é a de que nos apaixonamos por quem nos lembra o nosso pai (no caso das mulheres) ou a nossa mãe (no caso dos homens). Na mulherada, então, a teoria cai muito bem... Geralmente nossos afetos atuais repetem as vivências com afetos passados.
Acho que cabe aqui aquela máxima de Jung: "O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino."
Ninguém é substituível
Neste último final de semana, conheci Nina, minha "sobrinha de quatro patas". Após quatro anos sem um focinho circulando pela casa - e isso depois de quinze anos criando "cofaps" -, me animei com a chegada dela. Nos demos bem à primeira vista e ela gostou de mim mais do que esperava.Achava que isso ia fazer parar a saudade da outra que faleceu. Ledo e ivo engano. Além de não substituir, ainda faz você se lembrar mais.
Enfim, um afeto não substitui o outro. Cada pessoa, cada história, é única.
"You can´t hurry love..."
"...you just have to wait". Superstição minha, que ninguém precisa, obviamente, compartilhar: tudo que é forçado não dá bom resultado. Lógico que nem sempre me foi possível segui-la (e quando isso não aconteceu, me dei mal. :(). A boa notícia é que tudo vale a pena, mesmo quando dá tudo errado, "se a (sua) alma não é pequena". "Whatever works", como diz Woody Allen. Mas procuro respeitar a mim mesma e a vida, pois assim, creio, ela me abençoa.
Penso realmente que, nessas coisas do coração, não tem que procurar ou pra quê forçar os acontecimentos. Simplesmente deixa rolar. Os melhores casais que conheço se uniram com um bom empurrão do destino - isso não acontece só em novela; na vida real, os grandes encontros costumam ser inesperados. O coração saberá reconhecer quem lhe faz bem.
Como diz o poema, "não corra atrás das borboletas; cuide do seu jardim para que elas venham até você".







