Final de semana desses, fui ao Festival de Verão. Fui pra ver o que tinha mudado em, no mínimo, seis anos que não compareço ao evento. Muito pouco mudou. Na noite em que estive lá, pelo menos, notei uma certa popularização do público. As pessoas também não mais se produzem para a festa, como acontecia bem no comecinho do FDV - vão ao shopping, se brincar, até mais arrumadas que para ver os shows.
De repente, no meio de uma apresentação de samba, avisto várias pessoas parando a própria dança para fazer uma pose para a câmera digital. Tal ato se repetiu diversas vezes durante a noite.
Sei que essas coisas acontecem desde a invenção da digital - vide Orkut -, mas achei "a paradinha" bizarra.
Fiquei pensando em mim mesma. Tenho poucas fotos. A grande maioria, tirada em algum evento, e eu junto a coletividade, perdida num mar de vários rostos.
Quer saber? Não me sinto prejudicada. Talvez seja justamente o contrário: sem o suporte da fotografia, me lembro mais ainda de tudo que me aconteceu. Eu não tenho foto do dia em que perdi meus quatro dentes da frente, no jardim da infância, num acidente com a gangorra. Não tenho foto da turminha da 5ª série, e no entanto, além dos rostos, lembro de nomes, sobrenomes e, se brincar, até da data de nascimento de cada um deles. Não tenho foto das Feiras das Nações. Não tenho uma foto bacana de meus amados cachorros que já morreram. Tenho, no máximo, uma dúzia de fotos da época da Facom. Não tenho registro de quase nada que vivi e mais de dois anos após quebrar a minha digital no Natal de 2007, essa continua sempre à espera de um (próximo) dinheiro extra para ir a conserto. Talvez essa falta de registro faça falta a meus filhos. Ou não. Eu, por exemplo, viajo tentando visualizar as histórias que minha mãe conta sobre a juventude dela.
Na verdade, freqüentemente quando vejo uma foto das antigas, me dá uma certa agonia. A imagem parece desbotada, o enquadramento quase nunca é bom, e, além dessas mesquinharias, às vezes tenho a impressão que uma foto pode engessar um momento que é mais bonito na memória ou mesmo na imaginação.
Não que seja contra a fotografia; trata-se de um recurso bem-vindo. Só acho muito estranho parar o momento diversas vezes para poses de glória. Dá-me a impressão - ou melhor, esse tipo de ação me dá uma espécie de confirmação de uma impressão - de que, em nosso tempo, está todo mundo mais preocupado em parecer que em ser, em viver. É como se, ao registrar e guardar, fôssemos dispensados de dar valor aos momentos e suas lembranças. Sinto cheiro de banalização no ar...
Opinião polêmica, bem sei. Pode ser que na velhice me arrependa. Mi amiguito Davi não concordaria comigo, certamente. David passa horas e dias olhando as mesmas fotos das festas as quais foi, dos lugares que visitou. De repente, afasta-se do computador e suspira: "Ah, como é bom ver isso e lembrar dos bons momentos!". É, talvez eu pense melhor em levar a minha digital ao conserto...
Opinião polêmica, bem sei. Pode ser que na velhice me arrependa. Mi amiguito Davi não concordaria comigo, certamente. David passa horas e dias olhando as mesmas fotos das festas as quais foi, dos lugares que visitou. De repente, afasta-se do computador e suspira: "Ah, como é bom ver isso e lembrar dos bons momentos!". É, talvez eu pense melhor em levar a minha digital ao conserto...







